Depois de uma semana insana de Carnaval no Rio e antes de seguir rumo ao sul, para Santa Catarina, resolvemos fazer uma parada estratégica em São Paulo. Muitos viajantes em fóruns brasileiros falaram mal da cidade, chegando a dizer para evitá-la completamente. Mas como estava no nosso caminho, pensamos: “Por que não?”. No fim, ficamos três dias inteiros—e, sinceramente, foi uma experiência fascinante. Neste post, compartilho os destaques da nossa estadia, caso você também esteja pensando em dar uma chance à capital paulista.

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Dia #1: Chegada e passeio pelo centro
Chegamos a São Paulo de madrugada, meio zumbis após uma viagem noturna de ônibus saindo do Rio. Ficamos horas vagando pela rodoviária como andarilhos profissionais até dar o horário de check-in, quando finalmente pegamos um táxi para o hotel. Faltando poucos quarteirões, ficou claro por que o lugar parecia tão bom e barato nas fotos: ele ficava no coração da Cracolândia, o infame mercado de drogas a céu aberto de São Paulo.
Em vez de nos assustar, ficamos genuinamente intrigados. Parecia uma oportunidade de vivenciar algo fora do comum. Escrevi especificamente sobre nossa experiência na Cracolândia aqui, caso tenha curiosidade. E se você não se choca facilmente com um pouco de miséria e caos, vale a pena considerar o Hotel Piratininga—um baita custo-benefício. Mas, se preferir uma região mais segura e refinada, veja o mapa abaixo para opções de hospedagem.
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Depois de nos instalarmos e descansarmos um pouco, saímos à tarde para uma caminhada inicial por essa selva de concreto chamada São Paulo. Passamos pelas ruas decadentes e tomadas por usuários de drogas até chegar ao centro da cidade, que surpreendentemente estava bem cuidado. Aqui vão alguns dos lugares que encontramos nesse primeiro passeio.
Mosteiro de São Bento e Praça
Primeira parada: o Mosteiro de São Bento (localização) e sua praça homônima—um oásis inesperado de serenidade no meio do caos urbano. Erguido em 1598 por monges beneditinos, o prédio resiste imponente até hoje, com sua fachada neogótica e atmosfera solene. Dentro, ainda funciona como mosteiro ativo, famoso pelas missas com canto gregoriano. Na praça do lado de fora, uma mistura de executivos apressados, turistas vagando e um pregador enlouquecido gritando para o nada.


Edifício Altino Arantes (Banespa)
Alguns quarteirões depois, demos de cara com o Edifício Altino Arantes (localização), também conhecido como Banespa—o “Empire State Building” paulistano. Construído nos anos 40, já foi o maior arranha-céu da América Latina. Hoje abriga o Farol Santander, um mirante com vistas espetaculares da cidade (acesso pago).

Bar improvisado na Avenida São João
Descendo pela avenida São João, encontramos um boteco improvisado (localização)—mesinhas plásticas espalhadas em frente a lojas de cerveja. Apesar de estar no centro comercial da cidade, o local fervilhava com gente fumando maconha abertamente e som de psytrance saindo das caixas como se fosse normalíssimo. Claro que paramos pra tomar uma.

Vale do Anhangabaú
Já um pouco altos, entramos no Vale do Anhangabaú—um nome que em Tupi-Guarani significa “vale da água do espírito ruim”. O rio que lhe dá nome agora está enterrado sob toneladas de concreto, mas o calçadão moderno que cobre seu leito virou uma esplanada arborizada, com bancos, fontes e skatistas usando os bancos de pedra como rampas. O clima urbano é real: músicos de rua com caixas de som estouradas, adolescentes bebendo e funkeiros ocupando o espaço.

No fim da tarde, jantamos um biryani e um lassi neste restaurante indiano escondido e voltamos pro hotel pelas ruas já escuras e sombrias da Cracolândia.

Tours & Atividades em São Paulo
Dia #2: Turismo clássico
Depois de um café da manhã reforçado no hotel e um espresso na calçada cercados por zumbis em recuperação, saímos cedo pra explorar os pontos mais famosos da cidade. Eis o que visitamos.
Mercado Municipal de São Paulo
Começamos pelo Mercadão, instalado em um prédio imponente dos anos 1930, com vitrais e pé direito altíssimo. Lá dentro, o caos reina entre bancas de frutas exóticas, barris de bacalhau e açougues vendendo cortes difíceis de identificar. Os sanduíches de mortadela beiram o absurdo de tão gigantescos—quase um ritual turístico obrigatório.


Um vendedor de frutas praticamente enfiou amostras goela abaixo da gente, como um youtuber gastronômico animado. Quando aceitamos levar apenas algumas tâmaras e morangos, tentou cobrar 15 euros (!). Fomos embora em silêncio e ele foi abaixando o preço enquanto nos afastávamos.

Basílica José de Anchieta
Pertinho do mercado, encontramos a Basílica José de Anchieta—uma das igrejas mais antigas da cidade, no local exato onde São Paulo nasceu em 1554. Apesar da reconstrução moderna, ainda dá pra ver vestígios da estrutura colonial original. Um lugar calmo, em contraste gritante com o entorno.

Praça da Sé e Catedral
Dois quarteirões depois, chegamos à Praça da Sé—o marco zero da cidade. A praça fervilhava de movimento, mas num tom tenso. Havia uma fila longa de pessoas carentes esperando doação de comida. A catedral dominava tudo—enorme, neogótica, meio suja, com palmeiras alinhadas ao redor. Entramos brevemente para respirar um pouco de paz.



Liberdade (bairro japonês)
Chegamos ao bairro da Liberdade ao meio-dia—originalmente japonês, hoje um caldeirão asiático. Lanternas vermelhas nas ruas, mas também lojinhas de K-pop, mercearias chinesas e restaurantes tailandeses. Passamos por murais de Pokémon e vitrines entupidas de Hello Kitty. O cheiro de yakitori se misturava com o de bubble tea e sushi a quilo. Caótico, mas cheio de personalidade.


Jardim Oriental
Na entrada da Liberdade, o Jardim Oriental oferecia uma pausa no meio da loucura. Pequeno e bem cuidado, com lago de carpas, ponte vermelha e lanternas de pedra. O trânsito e o barulho ainda invadiam, mas conseguimos descansar por uns minutos sob uma árvore, observando crianças jogarem farelo para os peixes.

Theatro Municipal
Voltando ao centro, passamos em frente ao Theatro Municipal—parecia que tinham largado um pedaço de Paris no meio de São Paulo. Construído no começo do século XX em estilo europeu, já recebeu óperas e reuniões anarquistas. É possível fazer uma visita guiada gratuita, mas só olhar já impressiona.

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos
Na Praça Paiçandu, encontramos essa igreja discreta, pintada de amarelo-ocre, que passa despercebida à primeira vista. Construída por e para ex-escravizados no século XVIII, foi um refúgio espiritual numa época de exclusão racial. A decoração é simples, mas a história, poderosa.

Igreja Luterana
A Igreja Evangélica Luterana de São Paulo, construída por imigrantes alemães no começo do século XX, tem linhas retas e torre pontiaguda. Passa uma sensação calma e austera, destoando da bagunça ao redor.

Noite de samba
À noite, buscamos diversão. Perto do hotel, encontramos um bar (localização) onde ia começar um samba ao vivo. Sentamos com uma cerveja, recebemos um baseado oferecido pelo dono e curtimos o som na calçada. A banda tocava apertada num canto, enquanto locais cantavam e dançavam. Logo o bar lotou de moradores e usuários de crack. Comemos num restaurante 24h ao lado e caímos na cama.

Dia #3: Cracolândia e Parque da Luz
No último dia, ficamos nos arredores do hotel. Andamos pelas ruas degradadas da Cracolândia, observando tudo com curiosidade e desconforto. Foi uma experiência intensa. Escrevi um post mais completo sobre isso aqui.

Pra espairecer, atravessamos até o Parque da Luz, o mais antigo da cidade. Cheio de árvores, esculturas e velhinhos desenhando, era um contraste calmo. Almoçamos num café com um buldogue fofo de mascote.


No dia seguinte, descansamos no hotel após o checkout, esperando nosso ônibus noturno para Florianópolis.
Fotos
Veja (e use, se quiser) todas as minhas fotos de São Paulo em alta resolução.