Florianópolis, a capital de Santa Catarina, no sul do Brasil, está dividida entre o continente e a Ilha de Santa Catarina, com mais de 40 praias ao longo de sua costa atlântica. Conhecida localmente como “Ilha da Magia”, combina vida urbana com natureza exuberante — montanhas, dunas, lagoas e trilhas em mata atlântica fazem parte de sua geografia. Curiosamente, a cidade tem uma forte influência cultural açoriana, herança de imigrantes portugueses dos Açores que se estabeleceram ali no século XVIII. Apesar de ser um destino bastante popular entre turistas brasileiros, especialmente no verão, partes da ilha ainda mantêm uma atmosfera tranquila de vila de pescadores. Se você se interessa por lugares que misturam infraestrutura urbana com paisagens costeiras diversas, Florianópolis oferece uma mistura intrigante de cultura praiana, patrimônio colonial e vida moderna brasileira.
Depois de quase dois meses no estado do Rio de Janeiro e alguns dias em São Paulo, decidimos passar o último mês do nosso visto brasileiro em Santa Catarina. Começamos com uma semana em Florianópolis, que se revelou rica em experiências e aventuras. Neste post, compartilho os destaques da nossa estadia, junto com dicas úteis para quem estiver planejando uma visita à região.

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Dia 1: Chegada, acomodação e passeio noturno na Avenida Beira Mar Norte
Chegamos a Florianópolis ao nascer do sol, após uma longa viagem de ônibus noturno vinda de São Paulo. Mesmo na rodoviária, que contrastava agradavelmente com o caos da cracolândia paulistana, já era evidente que estávamos em um mundo diferente. O horizonte pontuado por edifícios modernos e organizados sugeria uma sociedade mais estruturada e de classe média-alta.

Como ainda faltavam algumas horas para o check-in na nossa hospedagem, aproveitamos esse tempo em uma cafeteria charmosa perto da rodoviária — café forte, folhados crocantes, tudo caprichado. Em seguida, pegamos um Uber até nosso local de hospedagem.
Escondida no final de uma rua estreita e inclinada, fora da avenida costeira, essa hospedagem foi a combinação perfeita de tranquilidade, vista e proximidade do centro. Ficamos em uma suíte espaçosa, com janelas em três lados e acesso a um terraço artístico e sossegado, tudo por um ótimo preço. Atualmente, parece estar indisponível, talvez por ser sazonal ou estar em reforma, mas vale a pena conferir depois.
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Após um passeio até o Beiramar Shopping para algumas compras, descansamos em casa o resto do dia. À noite, saímos para caminhar pela Avenida Beira Mar Norte. Cruzando com cuidado as várias pistas movimentadas, alcançamos o calçadão largo que acompanha a orla. Por lá, moradores corriam, andavam de bike, passeavam com seus cães ou apenas apreciavam a vista do mar e das luzes da cidade refletidas na água. A avenida era ladeada por bares e restaurantes sofisticados, muitos com cardápio à base de frutos do mar e janelas panorâmicas. No entanto, preferimos jantar em uma hamburgueria mais simples que encontramos numa parte mais tranquila da avenida, nomeada em homenagem ao governador Irineu Bornhausen.

Dia #2: Passeio pelo Centro de Florianópolis
Dedicamos o segundo dia a explorar o centro da cidade de Florianópolis, fazendo tudo a pé. Abaixo, alguns dos pontos mais interessantes que encontramos pelo caminho:
Praça Getúlio Vargas
A Praça Getúlio Vargas é um espaço público pequeno, mas historicamente significativo no centro de Florianópolis, rodeado por antigas figueiras e edifícios coloniais que hoje abrigam instituições cívicas. Nomeada em homenagem ao ex-presidente do Brasil, a praça tem uma estátua de Vargas e serve como lembrança sutil das mudanças políticas do país ao longo do século XX. Embora não seja uma parada turística essencial, o local recebe eventos culturais e manifestações públicas, refletindo seu papel na vida cívica da cidade. A sombra das figueiras torna o lugar um refúgio para quem trabalha nos arredores e também um ponto de encontro informal entre moradores.

Catedral Metropolitana de Florianópolis
A Catedral Metropolitana de Florianópolis está situada numa elevação com vista para a Praça XV de Novembro e é um dos marcos mais reconhecíveis da cidade. Começou a ser construída em meados do século XVIII no local onde existia uma pequena capela dedicada à Nossa Senhora do Desterro. A arquitetura mistura elementos barrocos e neoclássicos, com torres gêmeas e paredes amarelo-pastel que se destacam no horizonte urbano. Um dos detalhes mais curiosos da catedral é a mandíbula de baleia do século XVIII exposta próximo à entrada — uma referência ao passado baleeiro da ilha. Por dentro, é simples se comparada a outras catedrais, mas transmite uma reverência tranquila, com entalhes de madeira e tetos pintados. Mesmo que arquitetura religiosa não seja seu foco, uma visita rápida à Catedral oferece um vislumbre das raízes coloniais da cidade.


Museu Histórico de Santa Catarina
O Museu Histórico de Santa Catarina está instalado no Palácio Cruz e Sousa, um edifício rosa em estilo neoclássico em frente à catedral. O prédio foi sede do governo estadual e leva o nome de Cruz e Sousa, importante poeta afro-brasileiro nascido em Florianópolis. O interior abriga móveis de época, obras de arte e objetos ligados à história política e social de Santa Catarina, com salas preservadas no estilo do século XIX. A entrada é gratuita, tornando-o uma parada acessível para quem deseja entender melhor a identidade do estado ao longo do tempo.

Praça XV de Novembro
A Praça XV de Novembro é o coração histórico de Florianópolis, cercada por edifícios coloniais, repartições públicas e pela Catedral. Recebe esse nome por causa da data da proclamação da república brasileira, em 1889, e há muito tempo é um centro cívico e cultural. O destaque da praça é a enorme figueira centenária, cujos galhos cobrem boa parte do local — os moradores dizem que dá sorte contorná-la no sentido horário. A praça também sedia feiras, apresentações públicas e, às vezes, protestos, sendo tanto um espaço de lazer quanto um palco político.

Forte de Santa Bárbara
O Forte de Santa Bárbara é uma estrutura militar compacta do século XVIII, localizada na região central de Florianópolis. Foi construído para defender a costa oeste da ilha e a Baía Norte como parte de uma rede de fortificações portuguesas. Embora nunca tenha participado de combates, o forte hoje abriga um pequeno museu naval administrado pela Marinha do Brasil, com exposições de artefatos marítimos, modelos de navios e documentos históricos. Apesar do tamanho modesto, o local oferece um vislumbre interessante da importância estratégica da cidade na era colonial.

Rua Felipe Schmidt
A Rua Felipe Schmidt é uma das principais vias para pedestres do centro da cidade, paralela à Avenida Rio Branco e conectando áreas importantes do comércio local. Originalmente parte de uma estrada colonial, hoje é uma rua movimentada cheia de lojas populares, galerias e vendedores ambulantes que oferecem desde salgadinhos até capinhas de celular. No horário do almoço, o fluxo de trabalhadores, artistas de rua e estudantes dá um ritmo intenso, mas ainda agradável para caminhar. Entre vitrines modernas, é possível encontrar fachadas antigas escondidas, resquícios da arquitetura de outras décadas.

Igreja de São Francisco das Chagas
A Igreja São Francisco das Chagas é uma construção simples do século XIX associada à ordem franciscana, localizada bem no meio do burburinho comercial da Rua Felipe Schmidt. A fachada discreta e o interior austero refletem a humildade típica da arquitetura franciscana. Apesar de estar cercada por lojas e vendedores ambulantes, continua sendo um espaço de silêncio e oração. A igreja realiza missas regulares e mantém viva uma parte da história religiosa da cidade.

Mercado Público de Florianópolis
O Mercado Público é um edifício colonial animado e vibrante perto da orla, que serve como centro social e comercial desde o final do século XIX. Dividido em duas alas principais com um pátio central, abriga peixarias, bancas de frutas e temperos, lojas de artesanato e diversos bares e restaurantes sempre cheios no almoço e fim de expediente. Um costume típico é tomar um chope em pé acompanhado de um pastel, especialmente às sextas-feiras, quando o mercado vira ponto de encontro social. Com fachada amarela e estrutura metálica, o prédio é tombado como patrimônio histórico e um dos poucos exemplos bem preservados da arquitetura pública da cidade.

Dia #3: Alugando uma scooter e explorando o sul da ilha de Santa Catarina
Um dia foi o suficiente para conhecer Florianópolis. Agora estávamos mais empolgados em explorar a encantadora Ilha de Santa Catarina. A grande dúvida era: como? Claro, existem ônibus que circulam por toda a ilha. No entanto, com o tempo limitado que tínhamos, seria difícil alcançar certos lugares apenas com transporte público. Para aproveitar ao máximo nossa visita, precisávamos de um veículo próprio.
Em vez de um carro, procuramos uma moto — tanto por ser mais agradável circular ao ar livre numa ilha de verão, quanto porque — como já havíamos aprendido nas tentativas anteriores no Rio — era impossível alugar um carro neste país sem um maldito cartão de crédito. Motos também não eram fáceis de encontrar. Das poucas locadoras que contatamos — a maioria exigia cartão de crédito ou cobrava valores absurdos — conseguimos um acordo razoável com um sujeito por uma scooter 120cc por três dias. Aqui está o WhatsApp dele: +5548920014810.
Pegamos a moto na periferia logo cedo pela manhã e, para o primeiro dia, seguimos rumo ao sul. Abaixo estão os lugares mais bonitos que visitamos nesse bate-volta. Já escrevi sobre alguns deles com mais detalhes e incluí links para leitura complementar quando aplicável.

Ribeirão da Ilha
Nossa primeira parada foi Ribeirão da Ilha: um bairro histórico na costa sudoeste da ilha, conhecido por sua arquitetura açoriana bem preservada e pela longa tradição de cultivo de ostras. Colonizado no século XVIII por imigrantes portugueses vindos dos Açores, o vilarejo ainda preserva fileiras de casas coloridas com telhados de cerâmica, ruas de paralelepípedos e uma pequena, porém imponente, igreja colonial — Nossa Senhora da Lapa. O que diferencia Ribeirão hoje é sua reputação como a capital da ostra no Brasil, com muitas famílias locais operando pequenas fazendas e restaurantes à beira-mar especializados em frutos do mar frescos.
Leia mais: Uma Manhã Tranquila em Ribeirão da Ilha e Cachoeira do Sertão

Sertão do Ribeirão e Cachoeira da Carabina
Atravessando os morros rumo à costa leste, passamos por Sertão do Ribeirão: um enclave rural encravado no interior montanhoso da ilha. É uma pequena comunidade cercada por densa Mata Atlântica, com trilhas que serpenteiam por matas primárias, pequenas propriedades e vestígios da cultura açoriana tradicional. Um dos pontos mais escondidos da região é a Cachoeira da Carabina, uma queda modesta, mas cênica, que alcançamos por uma curta trilha na mata a partir da vila. A cachoeira não é bem sinalizada e carece de infraestrutura, o que a mantém fora do radar turístico — e justamente por isso atrai quem busca sossego em meio à natureza.

Pântano do Sul
Encontramos o Oceano Atlântico aberto no Pântano do Sul e paramos para uma breve caminhada. Trata-se de uma vila de pescadores tradicional na costa sudeste da ilha. Apesar de ter crescido um pouco nos últimos anos, o lugar ainda preserva seu caráter marítimo e popular, com barcos ancorados perto da praia e restaurantes servindo frutos do mar pescados no mesmo dia. A praia é longa e larga, com mais moradores locais do que turistas. O mar estava agitado na nossa visita, mas costuma ser mais calmo em outras épocas do ano.

Lagoa do Peri
Na hora do almoço, paramos na margem da Lagoa do Peri para comer os sanduíches que havíamos trazido. Essa é a maior lagoa de água doce da Ilha de Santa Catarina. Diferente da mais urbanizada Lagoa da Conceição, essa área faz parte de uma reserva ambiental protegida, com águas calmas e rasas, ideais para banho, caiaque e passeios em família. O parque ao redor conta com trilhas que passam por vegetação nativa e antigos moinhos coloniais. É também um ponto querido por observadores de aves, principalmente pela manhã, quando as espécies nativas estão mais ativas.
Leia mais: Lagoa do Peri: Floresta, Macacos e Águas Tranquilas no Sul de Florianópolis

Praia da Armação
Logo após a estreita faixa de terra que separa a lagoa do mar, caminhamos pela Praia da Armação: uma praia em formato de meia-lua conhecida historicamente como base baleeira durante o período colonial — o nome vem da “armação” usada para processar baleias. Hoje é uma vila de pescadores com barcos coloridos alinhados na areia e casas modestas espalhadas pelas encostas. O mar é geralmente calmo na parte norte da baía e mais agitado no extremo sul, oferecendo áreas tanto para banho seguro quanto para surf leve. Uma pequena passarela liga a praia a um ilhote rochoso usado para pesca, e trilhas partindo dali levam a destinos mais isolados, como a Praia do Matadeiro.
Leia mais: Praia da Armação e Matadeiro: Praias Cênicas em Florianópolis

Praia Lagoinha do Leste
Mais tarde, encerramos o dia com uma trilha curta e recompensadora até a Praia Lagoinha do Leste: uma das mais remotas e selvagens de Florianópolis, localizada na costa sudeste da ilha, acessível apenas por trilhas ou barco. Cercada por morros íngremes e Mata Atlântica densa, a praia tem uma longa faixa de areia branca e uma lagoa de água doce (a “lagoinha”) logo atrás. Permanece intocada — sem estradas, construções ou serviços (além de um quiosque rústico e um posto de salva-vidas), o que preserva seu caráter isolado e natural.
Leia mais: Trilha até a Praia Lagoinha do Leste na Ilha de Santa Catarina

Praia dos Açores
Já ao anoitecer, dirigimos até a Praia dos Açores em busca de algo para comer. Essa praia leva o nome dos colonos açorianos que se estabeleceram ali no século XVIII, embora hoje seja mais conhecida como refúgio tranquilo do que como sítio histórico. A praia tem areia grossa e limpa, ondas moderadas e atrai tanto surfistas locais quanto famílias que preferem lugares mais sossegados. Embora o desenvolvimento tenha alcançado a área, ela continua majoritariamente residencial, com poucos mercados e pousadas. Encontramos apenas um lugar aberto para um lanche rápido antes de começarmos o caminho de volta.

Dia #4: Caminhada pela Lagoa da Conceição e Jantar com Churrasco Argentino sob a Ponte Hercílio Luz Iluminada
No nosso segundo dia resolvendo a moto, a Sophie teve um turno longo de trabalho e ficou em casa. Eu fui sozinho até a Lagoa da Conceição: uma grande lagoa de água salgada localizada próxima ao centro da Ilha de Santa Catarina, que funciona tanto como referência geográfica quanto como um dos bairros mais sociais e ativos de Florianópolis. Cercada por dunas, morros e Mata Atlântica, a lagoa é popular entre praticantes de esportes aquáticos como windsurf, caiaque e stand-up paddle. A região ao sul da lagoa se desenvolveu como um distrito animado cheio de bares, cafés, mercados e casas de show, especialmente movimentado nos fins de semana e durante o verão.

Meu destino neste dia, no entanto, era a costa oeste da lagoa — uma parte muito diferente da região movimentada. Este lado é marcado por encostas íngremes cobertas de floresta, acesso rodoviário limitado e uma atmosfera mais isolada e rural. Fiz uma trilha costeira até uma comunidade chamada Costa da Lagoa, acessível apenas a pé ou de barco, passando por riachos e vestígios de construções açorianas em pedra pelo caminho. As casas muitas vezes ficam empoleiradas acima da água, conectadas por passarelas de madeira e pequenos píeres, com alguns restaurantes à beira da lagoa voltados aos visitantes que chegam de táxi aquático. Aqui está o relato completo caso queira mais detalhes.
Tendo sobrevivido exclusivamente à base de hambúrgueres e afins desde que chegamos, este era o momento ideal para um banquete. A Sophie encontrou um ótimo restaurante argentino na parte continental da cidade, logo abaixo da Ponte Hercílio Luz. Tivemos uma refeição maravilhosa, com um bom vinho tinto e vista para a ponte iluminada com elegância. Eu ia colocar o link do restaurante, mas não o encontrei mais no Google Maps — infelizmente, pode ter fechado.

Dia #5: Viagem de Moto ao Norte da Ilha de Santa Catarina
No nosso último dia com a moto, fizemos uma viagem de um dia até o extremo norte da ilha. Estes foram os lugares por onde passamos:
Santo Antônio de Lisboa
Assim como fizemos na viagem ao sul, começamos o dia em uma vila açoriana histórica na costa da baía. Fundada no século XVIII, Santo Antônio de Lisboa é conhecida por sua arquitetura colonial bem preservada. As ruas de paralelepípedos, casas coloridas com janelas de madeira e a pequena igreja barroca de Nossa Senhora das Necessidades ainda mantêm o charme do passado. A vila também é famosa pelo cultivo tradicional de ostras e por sua cena cultural crescente, com galerias de arte, lojas de artesanato e restaurantes de frutos do mar à beira da água.
Leia mais: Santo Antônio de Lisboa: Charme Colonial no Norte de Florianópolis

Praia da Daniela
Seguimos para a Praia da Daniela: uma praia pequena e protegida, localizada em uma península da costa noroeste da ilha, entre morros e as águas calmas da Baía Norte. Ao contrário das praias voltadas para o oceano, Daniela tem ondas suaves e águas rasas, sendo ideal para famílias com crianças ou quem busca um banho mais tranquilo. O bairro ao redor é predominantemente residencial e tem poucos comércios, o que ajuda a manter o ambiente calmo mesmo na alta temporada. Há também uma faixa de praia intocada que margeia uma área de manguezal protegido, ótima para uma caminhada em meio à natureza.
Leia mais: Praia da Daniela: Águas Calmas e Tranquilidade no Norte de Florianópolis

Fortaleza de São José da Ponta Grossa & Praia do Forte
Perto dali, visitamos a Fortaleza de São José da Ponta Grossa: um forte português do século XVIII construído sobre um promontório rochoso no extremo noroeste da ilha. Fez parte do sistema de defesa litorânea contra invasões estrangeiras e hoje abriga canhões originais, muros de pedra restaurados e um pequeno museu sobre a história militar da região. Logo abaixo está a Praia do Forte: uma praia pequena, calma, com água clara e casas residenciais misturadas com aluguéis de temporada. É menos movimentada do que outras praias da região, e a vista da fortaleza a partir da areia cria um cenário histórico único.
Leia mais: Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Praia do Forte, Jurerê

Jurerê
Paramos para tomar um café na cidade vizinha de Jurerê, especialmente em sua parte mais sofisticada e planejada, conhecida como Jurerê Internacional. As ruas são arborizadas, com casas de luxo, hotéis boutique e beach clubs que fervem durante a alta temporada, com festas de música eletrônica e eventos sociais voltados ao público jovem e de alto poder aquisitivo. No dia da nossa visita, várias apresentações ao vivo ocorriam em palcos montados ao longo da área central.

Praia Lagoinha do Norte
Nosso próximo destino: a praia mais ao norte da ilha — Lagoinha do Norte. Apesar da fama de ser uma praia mais tranquila, foi a mais cheia que vimos em toda a ilha — restaurantes lotados e a faixa de areia repleta de guarda-sóis e banhistas. A área é majoritariamente residencial, com muitas casas de veraneio e estabelecimentos voltados para o público sazonal. O acesso é fácil por estrada pavimentada, e não deve ser confundida com a isolada Lagoinha do Leste, no lado oposto da ilha.

Praia Brava
Depois de um trajeto curto, chegamos à Praia Brava — famosa por suas ondas fortes, faixa de areia inclinada e colinas verdes ao redor. O nome “Brava” não é à toa: é um destino conhecido entre surfistas por suas ondas potentes e consistentes. Nos últimos anos, a área viu um aumento na construção de condomínios e hotéis voltados ao turismo de verão, mas ainda permanece mais tranquila fora da alta temporada. Atrai surfistas, jovens e famílias acostumadas ao mar mais bravo. As montanhas ao redor completam a paisagem com um ar mais selvagem.

Lagoa da Conceição Southern Shore
No caminho de volta a Floripa, fizemos uma parada nas Dunas da Lagoa. Essas dunas extensas entre a Lagoa da Conceição e a Praia da Joaquina formam uma das paisagens mais marcantes da Ilha de Santa Catarina. Moldadas pelos ventos do Atlântico, com vegetação esparsa ao redor, as dunas estão em constante transformação, criando picos, vales e formas onduladas. É um local muito popular para sandboard — uma adaptação tropical do snowboard — com aluguel de pranchas e instrutores informais espalhados pelo acesso principal. Apesar da presença constante de turistas no verão, algumas partes permanecem tranquilas, com vistas panorâmicas da lagoa e do mar.

Encerramos o dia com uma cerveja ao pôr do sol na parte sul da Lagoa da Conceição. Essa é uma faixa densamente urbanizada, com casas, pousadas, restaurantes e pontos de aluguel de equipamentos de esportes aquáticos, espremidos entre os morros e a água. A vista da lagoa durante a golden hour foi simplesmente deslumbrante.

Dia #6: Amanhecer no Morro da Cruz, com Vista para Florianópolis
Pouco antes de devolvermos a moto, exatamente 72 horas após a retirada, acordamos ao amanhecer para aproveitar as últimas horas que ainda teríamos com ela. Subimos até o Morro da Cruz — um mirante bem acima do centro de Florianópolis, considerado um dos pontos panorâmicos mais acessíveis da cidade. A cerca de 285 metros de altitude, oferece vistas das pontes, do centro urbano, da baía oeste da ilha e até de parte do continente. Embora bonito em qualquer hora do dia, o nascer do sol foi especialmente marcante: a cidade foi se revelando aos poucos na luz suave da manhã, com o mar refletindo o céu em transformação.

Depois de devolvermos a moto, passamos o dia em casa descansando e nos preparando para partir rumo à Praia do Rosa na manhã seguinte.