Durante nossa semana no Rio de Janeiro, estávamos decididos a visitar uma de suas famosas favelas. Consideramos ir por conta própria. No passado, eu já havia entrado sozinho em comunidades semelhantes — como os townships da Cidade do Cabo ou as favelas de Nairóbi — e nunca tive problemas de segurança. Mas, nessas ocasiões, eu carregava apenas roupas e um pouco de trocado. Sabia que levar qualquer coisa a mais não era um risco, mas sim uma oferta voluntária. Desta vez, no entanto, queríamos levar nossas câmeras — então decidimos que seria mais sensato participar de um passeio organizado.

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Nas buscas, deparamos logo com uma enxurrada de tours praticamente idênticos para a Favela da Rocinha — a maior do Brasil, com cerca de 200 mil habitantes. Só um oferecia outro destino: a menor e mais bem localizada Favela Santa Marta. Pareceu uma escolha mais autêntica e singular, então foi essa que escolhemos.
Entre foliões nas ruas de Botafogo, seguimos até a Praça Tião Belo. Logo acima do luxo da Zona Sul, víamos uma faixa estreita de barracos espremidos subindo um morro íngreme. Estávamos na base da Favela Santa Marta.

Após uma breve espera no parque, atravessamos a rua até o posto de gasolina — ponto de encontro do tour. Aos poucos, o grupo se formou — cerca de quinze pessoas, a maioria argentinos, além de alguns europeus. Nossa guia chegou logo: uma jovem simpática chamada Julia. Ela não era moradora da favela, mas já conduzia aquele passeio há dez anos, desde que foi contratada pelo criador do projeto.
Depois das apresentações — sem alertas além do lembrete para não fotografar áreas não autorizadas — atravessamos a avenida principal e subimos até a estação do bonde funicular da Santa Marta. Instalado em 2008 como parte de um projeto de infraestrutura urbana para melhorar o acesso nas comunidades, o funicular tornou-se um elo vital para os moradores. Assim como os locais, usamos o transporte gratuitamente.

Como o bonde tem capacidade limitada, dividimo-nos em dois grupos. A primeira leva subiu lentamente. Na primeira parada, encontramos algo que parecia um ponto de controle: um traficante sem camisa e armado com uma metralhadora. O bonde parou. Ninguém subiu ou desceu. Ele apenas ficou na porta, nos observando com um sorriso contido.
Ao trocar de bonde, chegamos ao terminal. Da pequena varanda da estação, admiramos a vista espetacular da cidade e do litoral carioca, contrastando com a precariedade ao nosso redor, enquanto esperávamos o restante do grupo.

Um edifício imponente e isolado se destacava na mata acima da favela. Quando chegou, Julia explicou: era uma delegacia de polícia. Os agentes ficam de plantão ali, mas não interferem nas operações do tráfico — só entram em casos extremos, o que, segundo ela, só aconteceu duas vezes na última década.
Descendo a pé pela favela, serpenteamos por um labirinto de vielas estreitas e escadarias malconservadas. Emaranhados de fios pendiam como cipós. As casas eram tão coladas quanto os tijolos mal assentados que as formavam. Um leve eco de Sampa saía de algum interior, mas todas as portas e janelas estavam fechadas. Segundo Julia, nenhuma casa tinha endereço próprio — todas compartilhavam o mesmo, no pé do morro.

Só ao nos aproximarmos da praça principal é que vimos pessoas: um rapaz sorridente subindo as escadas correndo, um pequeno grupo jogando nos caça-níqueis enfiados num beco, e então um aglomerado maior na praça.
Batizada em homenagem a Michael Jackson — que filmou ali o clipe de They Don’t Care About Us em 1996 —, a praça é um terraço com vista para a favela e a cidade. Tem uma estátua de bronze do cantor, um bar e uma lojinha de lembranças. Ali, um grupo de jovens nos brindou com uma apresentação percussiva de tirar o fôlego.




Poucos degraus abaixo da praça, paramos na casa da família do idealizador do tour. Na TV antiga, os pais simpáticos exibiam o clipe do Michael Jackson — a mãe orgulhosa apontando sua versão jovem dançando — junto com um documentário sobre as favelas cariocas. Enquanto serviam um licor caseiro, Julia falou sobre os projetos sociais beneficiados pelo passeio.

Ao final da tarde, estávamos de volta ao pé do morro. Bicicletas e motos se amontoavam no estacionamento — o ponto mais alto acessível a veículos. Enquanto os moradores voltavam de seus trabalhos pela cidade, nosso passeio chegava ao fim.

Foi uma experiência ao mesmo tempo curiosa, emocionante e comovente — que nos fez lamentar a sorte dos menos favorecidos e, ao mesmo tempo, admirar sua força e resistência. Recomendo fortemente participar desse tour para quem quiser conhecer o outro lado do Rio e ainda contribuir com uma comunidade marginalizada.
Você também pode conferir mais tours para a Rocinha.
Fotos
Veja (e, se quiser, use) todas as minhas fotos da Favela Santa Marta em alta resolução.
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