Não sou muito bom em acompanhar o calendário. Antes das redes sociais começarem a me lembrar, eu mal lembrava do meu próprio aniversário — quem dirá de festas em terras distantes. Só percebi — por pura coincidência — que estávamos a um mês e meio do lendário Carnaval do Rio de Janeiro quando pousamos na cidade, no início de janeiro.
Nosso plano original era seguir direto para o sul do Brasil e passar o inverno por lá. Mas, já que o acaso parecia nos empurrar em outra direção, decidimos aproveitar as semanas seguintes em praias próximas — Rio das Ostras, Arraial do Cabo, Cabo Frio — antes de voltar ao Rio para vivenciar de perto esse festival insano.
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No fim, passamos uma semana no Rio bem no auge do Carnaval. Embora os primeiros e últimos dias tenham sido mais tranquilos — relaxando na acomodação e na rodoviária antes de seguir para São Paulo — os cinco dias restantes foram cheios de atividades, misturando festa e turismo.
Neste post, compartilho nosso itinerário de cinco dias, junto com links para outros relatos mais detalhados sobre experiências específicas, que podem te inspirar ao planejar sua própria estadia no Rio de Janeiro.
Antes de começar, duas lições importantes que aprendemos da forma mais difícil:
- Prepare-se para o caos — multidões invadem a cidade, vias principais são fechadas, e horários deixam de fazer sentido. Espere por deslocamentos longos. Mantenha-se flexível, abrace a espontaneidade e não leve o planejamento pontual tão a sério.
- Reserve sua hospedagem com bastante antecedência — os preços disparam conforme o festival se aproxima. Reservamos com um mês e meio de antecedência, logo depois de decidirmos voltar ao Rio, e as tarifas já estavam cerca de 500% mais caras que o normal. Durante o Carnaval, só por curiosidade, conferimos de novo — e os preços estavam quase 1.000% mais altos. Use o mapa interativo abaixo para comparar acomodações em diferentes plataformas.
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Dia #1: Praia de Botafogo, Pão de Açúcar, Copacabana
Começamos nossa semana visitando o icônico Pão de Açúcar. O ponto mais próximo que conseguimos alcançar de ônibus foi a Praia de Botafogo. Depois de tomar café da manhã por ali, caminhamos pela praia ainda tranquila, contemplando a imponente pedra do outro lado da baía até chegarmos à sua base, na Praia Vermelha.

Queríamos subir a trilha até o topo, mas descobrimos que era necessário fazer uma escalada técnica. Como estávamos sem equipamento e eu ainda me recuperava de uma lesão no braço que não permitia grandes riscos, optamos por uma alternativa: subimos até o Morro da Urca e pegamos o bondinho dali até o Pão de Açúcar. Aqui está o relato completo dessa trilha.

Depois de algumas horas admirando a paisagem, descemos e seguimos caminhando até Copacabana para almoçar e fazer um passeio à tarde pela famosa orla. Na visita anterior ao Rio, já tínhamos conhecido também o Forte de Copacabana, na extremidade sul da praia — vale a pena para quem curte história. Dessa vez, encerramos o dia com alguns drinks ao pôr do sol, apreciando a vista panorâmica de toda a praia a partir de um dos bares na extremidade leste.

Dia #2: Centro do Rio, Lapa e Bloco Suburbano
Para o segundo dia, havíamos planejado outra trilha, desta vez até o ponto mais famoso do Rio: o Cristo Redentor. Mas não planejamos direito. Pegamos um ônibus que supostamente nos deixaria perto do início da trilha, no Parque Henrique Lage. Em vez disso, após horas presos em engarrafamentos por ruas estreitas e desviadas, acabamos descendo no centro da cidade — antes que o ônibus voltasse para onde tínhamos embarcado.

Tendo perdido a chance de fazer a trilha, decidimos passar o dia explorando o centro, tomado por foliões alegres, extravagantes e bem alterados. Caminhamos bastante, absorvendo o espetáculo. Visitamos a imponente Catedral Metropolitana e a Escadaria Selarón — a famosa escada colorida feita de 2.500 azulejos. À tarde, fomos parar na Lapa, o bairro boêmio do Rio, onde já havíamos curtido uma noite animada na primeira visita à cidade.




Sentamos numa mesa na calçada de um bar e, fascinados, assistimos ao desfile caótico passar. Depois de várias cervejas — um pouco mais bêbados do que apenas alegrinhos — voltamos para casa e descansamos.
À noite, fomos a um bloco — uma festa ou desfile improvisado de rua, realizados por toda a cidade — no bairro suburbano de Pilares. A festa tinha um clima bem mais local do que as do centro. Provavelmente éramos os únicos estrangeiros. Os adultos bebiam e dançavam samba, enquanto as crianças brincavam em brinquedos infláveis.

Dia #3: Favela Santa Marta
No terceiro dia, fizemos um tour por uma favela. Em vez de escolher uma das muitas visitas à Favela da Rocinha — a maior do Brasil — optamos por um tour alternativo pela menor Favela Santa Marta.
Para evitar os perrengues de trânsito do dia anterior, saímos bem cedo para garantir que chegaríamos no horário. O ponto de encontro era ao pé da favela, próximo à Praia de Botafogo. Como não houve imprevistos, chegamos com tempo de sobra e aproveitamos para curtir um animado bloco que acontecia nas redondezas.

O tour consistiu em algumas horas explorando os becos estreitos da favela, aprendendo sobre sua história, seus desafios e a resiliência de seus moradores. O ponto alto foi assistir a uma apresentação de percussão feita por crianças da comunidade na praça central, com uma vista panorâmica espetacular da cidade ao fundo. Confira aqui o relato completo desse tour.

Já estava escurecendo quando voltamos para a parte mais desenvolvida do Rio. Depois de uns drinks e jantar pela região de Botafogo, fomos descansar para o dia seguinte.
Dia #4: Blocos de Carnaval
Esse foi o dia de festa pra valer. Começamos num bloco na Praça Pistóia, perto da Marina da Glória, no centro. Chamado Bloco do Sargento Pimenta, em homenagem ao álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles, o show era uma mistura de samba com os clássicos da banda. Musicalmente envolvente, socialmente ainda mais.

Milhares de pessoas tomavam a praça, espremidas até quase faltar ar. Fantasiadas das maneiras mais criativas, consumindo álcool, maconha e sabe-se lá o quê — parecia um rave tropical. Mas estavam todas ali para dançar e celebrar, contagiadas pela alegria carnavalesca.


Quando a festa terminou, no início da tarde, minha cabeça girava em outro planeta. Junto com alguns locais que conhecemos na hora, todos chapados, seguimos para outro bloco na Praia do Flamengo. Batemos no limite pouco antes de escurecer. Depois de um belo prato de frango com arroz e feijão, conseguimos chegar em casa e desmaiamos.
Dia #5: Praia de Ipanema
Recuperando as forças do exagero do dia anterior, pegamos leve no nosso último dia inteiro no Rio. Passamos o dia na Praia de Ipanema, caminhando e tomando algumas caipirinhas num quiosque, observando as festas à distância — com muito mais conforto.
